Prêmio mostra como empreendedorismo ajuda adolescentes a reconstruírem projetos de vida
Especialistas que integraram banca examinadora destacam desenvolvimento de autoconfiança, criatividade e visão de futuro entre participantes do 4º Prêmio Criar & Realizar
“Avaliar os Planos de Negócios desenvolvidos pelos alunos nos mostrou que o conhecimento, quando aliado ao propósito, não tem limites” A avaliação do diretor pedagógico da Escola Técnica FAT, Olívio Fernando Fregolente, resume uma das principais conclusões apontadas pelos especialistas que integraram a banca do 4º Prêmio Criar & Realizar, promovido pela Fundação CASA em parceria com a Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT). Ao acompanhar a apresentação de planos de negócios desenvolvidos por adolescentes em medida socioeducativa, os avaliadores observaram que a experiência vai além da aprendizagem empreendedora e contribui para a construção de projetos de vida, o fortalecimento da autoconfiança e a ampliação das perspectivas profissionais dos participantes.
Realizado como parte do itinerário formativo do curso Empreendendo um Pequeno Negócio, o prêmio envolveu mais de 350 adolescentes de 27 centros socioeducativos do Estado de São Paulo. Durante o processo, os participantes transformaram ideias em propostas de negócio, desenvolveram estudos de mercado, estruturaram planos financeiros e apresentaram soluções voltadas a desafios sociais, econômicos e ambientais.
Fregolente também comentou que os trabalhos apresentados demonstraram a aplicação prática dos conteúdos desenvolvidos durante o curso.Segundo ele, as equipes apresentaram estudos de viabilidade financeira, estratégias de marketing, planos operacionais e propostas voltadas ao impacto social e ambiental. “Ver o brilho nos olhos, a postura profissional e a maturidade de cada equipe reafirma a nossa missão: a educação e a oportunidade transformam vidas e constroem pontes sólidas para o futuro”, disse.
Para a fundadora e diretora do projeto Gastronomia Periférica, Adelia Rodrigues, o contato com os projetos permitiu identificar potencialidades que muitas vezes os próprios jovens ainda não reconhecem. “Assistir tanto potencial, acho que muitas vezes nem o próprio jovem sabe o tamanho do potencial que ele tem, daquilo que ele está criando”, afirmou. Segundo ela, a iniciativa também evidencia a capacidade de inovação presente nos territórios periféricos e demonstra a importância da construção coletiva de novas possibilidades. “Que eles consigam, de fato, entender que esse sentimento, essa atitude empreendedora, é um movimento interno, principalmente. Mesmo que você não consiga abrir o seu negócio, você pode ter esse comportamento e esse pensamento criativo, propositivo e a confiança no coletivo para a mudança”, disse.
A qualidade das apresentações e o envolvimento demonstrado pelos participantes ao longo da formação foi destacado pela COO da Rede Mulher Empreendedora (RME), Caroline Moreira. “Fiquei muito surpresa e feliz em identificar o potencial criativo, de trabalho em grupo e comunicação dos adolescentes. Todas as ideias apresentadas eram bastante elaboradas, eles mostraram conhecimento nos negócios criados e apresentaram de forma muito atrativa”, declarou. Para ela, os conhecimentos adquiridos durante o programa tendem a produzir efeitos que ultrapassam o período de participação na Fundação CASA. “Tenho certeza que eles passam por esse período na Fundação levando para a vida muito conhecimento que pode ser aplicado na construção dos próximos passos de suas carreiras e vida de forma geral.”
A fundadora do movimento Mulheres do Café, Fabiola Fonseca, ressaltou a oportunidade de conhecer propostas criadas pelos adolescentes e o papel do incentivo na construção de novas perspectivas. “Foi uma grande satisfação participar da banca examinadora e conhecer de perto o talento, a criatividade e a dedicação de tantos jovens. Cada projeto trouxe ideias, sonhos e possibilidades de transformação”, afirmou. Para ela, experiências desse tipo ampliam horizontes e criam condições para novos percursos. “Acredito que, com oportunidade, incentivo e confiança, ajudamos a construir novos caminhos e um futuro com mais possibilidades.”
Por fim, o CEO da Finnet Tecnologia, Yoshimiti Matsusaki, observou que o concurso tem ampliado sua capacidade de estimular a mentalidade empreendedora sem se afastar dos objetivos socioeducativos da instituição. “É impressionante como o Prêmio Criar & Realizar vem se superando a cada ano, sempre desenvolvendo a mentalidade empreendedora nos jovens, mas acima de tudo sem perder o nobre propósito da Fundação CASA”, afirmou. Para ele, acompanhar as apresentações dos finalistas oferece uma perspectiva sobre o potencial de transformação da educação. “Participar da banca do prêmio é, acima de tudo, ter contato com um Brasil em que podemos acreditar e sonhar juntos por um futuro melhor”, declarou.
Embora a competição premie os melhores projetos, os especialistas convergem ao apontar que o principal resultado está no percurso realizado pelos participantes. Ao pesquisar problemas, construir soluções, trabalhar em equipe e defender suas propostas diante de uma banca avaliadora, os adolescentes desenvolvem competências relacionadas à autonomia, comunicação, planejamento e tomada de decisões. Na avaliação dos convidados, esse processo reforça a capacidade dos jovens de projetar novos caminhos para suas trajetórias pessoais e profissionais.
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