Construindo o Futuro com Educação e Tecnologia

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A ocupação do Centro Paula Souza


Segunda-feira, 30 de maio de 2016

Francisco Borges (*)

É motivador observar jovens se articularem por causas justas. Foi o que se viu com relação ao plano do governo paulista de reorganização das escolas que, ao tentar reduzir o número de unidades, foi rebatido de forma organizada pelos alunos.

Dezenas de unidades escolares foram invadidas e tomadas pelos estudantes. Esta ação, com o apoio dos professores, que também seriam afetados pela reformulação proposta, acabou por redundar na manutenção da estrutura das escolas e na troca do secretário de educação. A proposta de redução de custos, apesar de importante para a economia do estado, foi aplicada de maneira unilateral e arbitrária.

Em paralelo à reorganização e também alvo da indignação de alunos, pesa a investigação sobre suposta compra de merenda escolar com valores superfaturados. Como forma de protesto dos estudantes, foram invadidos o Centro Paula Souza e algumas escolas técnicas e faculdades de tecnologia do Estado.

Neste caso, porém, houve um grande equívoco. Se ocorreram desvios relacionados à merenda, eles não se devem a essas instituições. As Escolas Técnicas (ETECs) e as Faculdades de Tecnologia (FATECs) compõem, juntamente com o Sistema S (SENAI, SESI e SENAC) e com os Institutos Federais (IFs), ilhas de excelência de formação profissional. Já O Centro Paula Souza é uma autarquia mantenedora e gestora de 219 Escolas Técnicas e 65 Faculdades de Tecnologia no Estado que atendem quase 300 mil alunos, dos quais 220 mil em cursos técnicos e 78 mil em cursos superiores de tecnologia, em mais de 300 dos municípios.

Historicamente, 85% de seus formandos ingressam diretamente no mercado de trabalho. Não bastasse isso, o CPS está vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação e não à Secretaria Estadual de Educação, sobre a qual recai a suspeita de superfaturamento da merenda escolar.

Há 3 anos, como parte do projeto de reurbanização do centro da capital de São Paulo, o CPS foi transferido para um prédio na região da antiga rodoviária. Apesar de novo e com recursos tecnológicos adequados, suas instalações são simples, mas eficientes. As quebras, perdas e os furtos de equipamentos registrados em sua ocupação vão exigir mais do que reparos e substituições para que a qualidade da oferta de programas educacionais do Centro se mantenha. A mobilização social é uma arma da sociedade para corrigir desmandos. Neste caso, entretanto, serviu para comprometer uma das estruturas que mais colabora para a melhoria do ensino no país e que nada tinha a ver com a razão dos protestos

(*) Francisco Borges é consultor da Fundação FAT em Gestão e Políticas Públicas voltadas à Educação.

Fonte: Diário do Grande ABC